]]]]] Acordei banhado em elétrico o corpo pedindo pra ler as notícias notícias
As news meu país está monoteístico: urna totem
Não consigo muito me ocupar de outras coisas salvo com muito esforço
E aí é bom, ouvir um pouco de música, jogar um Game Boy pirata
Não sinto fome mas preciso comer para ter força para ter força
Apertamos um parafuso espanado na esperança de que gire
E gira
Falo das giras sem entender a fundo mas recebo
Como os doces, mostro as costas e a tatuagem de Yakuza do cerrado
Penso se ao escrever Yakuza atraírem a Yakuza
Ontem atraí um imbecil eleitor do Flávio que veio falar bosta pra mim, bloqueei
Foi a primeira vez que ocorreu desde que comecei a usar a internet
Tive um pouco de medo mas não o suficiente
Também atraí um cara da quimbanda com uma postagem sobre o Protoman
Blues que é VERMELHO
Na semana que vem cova do leão e tudo o que tenho é uma garrafa bordô
Que pode ou não ser um apito de cachorro auau
Uma coisa que é muito louca que eu nunca comentei com ninguém exceto em zines de uma forma que não dava pra entender o que eu estava falando é que lá atrás, em dois mil e doze, durante a aflição eu desenhando e escrevendo e fui num evento da igreja em busca de esperança e lá estavam pastores podres mas também o Thalles Roberto cantando eu escolho Deus eu escolho ser amigo de Deus e eu desenhando em meio à multidão e tive visões apocalípticas, me capturavam, cortavam a minha mão que desenha, conforme fui saindo da angústia fui pensando que era o delírio de grandeza de ser alguém alvo de alguém insatisfeito com quem está insatisfeito. Mas aí penso em hoje, em 2018 e 2022, e eu quando tive e tenho medo não penso em mim como especial mas como parte de uma falange de insatisfeitos com determinadas questões.
O que eu quero dizer com isso é que o meu medo da opressão obliteradora não teve início no governo Bolsonaro
Mas curiosamente ou não estava lá na igreja protestante, seis anos antes de tudo começar
Recomeçar: ou recontinuar retomar. Não escrevo para ser lido desde dois mil e 22. Ou ao menos não escrevi querendo escrever, estando presente, olhos atentos e coração aura emoção na ponta dos dedos.
Os textos que escrevi nos últimos anos foram para a terapia. Houve um ou outro de deságue, para lidar com alguma descarga sensorial (essa palavra tem ganhado espaço nos últimos tempos, quando falo do embaralhamento dos sentidos) (sentidos físicos e sentidos linguísticos das vivências). Mas se aconteceu três vezes em dois anos e meio foi muito, e nunca compartilhei com ninguém além do meu psicólogo.
Passei esses anos trabalhado bastante, em duas frentes diferentes. Ao reabrir este caderno reabro outra frente, esquecida. Agora sem as ânsias de antes, de ser (pois sei que fui e sou), de ter (pois tenho tido), de saber (tenho aprendido). Certos carimbos em minha testa já foram assimilados, boa parte das feridas fecharam. E as que não fecharam tenho aprendido a anestesiar, pra longo prazo mesmo, para certas coisas não há remédio.
Começando então.
Hoje é o primeiro dia após termos descoberto que quase metade do Brasil quer restaurar a monarquia por meio das urnas - mas não reconstruindo o trono dos Bragança, e sim entregando o cetro permanentemente aos Bolsonaro. É uma coisa muito louca isso porque o clamor não é nem para "colocar essa figura no poder para ver como é que ele se sai, e aí elegemos outro e segue o baile", mas sim uma convicção absoluta de que não só será ótimo, mas, pasmem na contradição, o objetivo não é nem que seja ótimo, mas sim que uma energia concreta mas bastante abstrata (tendo Lula como seu representante máximo, na perspectiva dessa metade da população) seja afastada do poder, dos espaços de influência no destino coletivo, e não retorne. Melhor seria um país sem a esquerda e quem nela vota, e quem nela quer viver.
Vi num status de WhatsApp, meses atrás, que "Flávio não é de extrema direita, é de extrema necessidade". Nas entrelinhas, a extrema direita não chega a existir e, se o caso é que exista, ninguém vai se casar no engano. É como o antigo golpe de comprar um Playstation e vir uma caixa com um tijolo dentro, mas comprar sabendo que é isso mesmo, e que o tijolo vem acompanhado com uma lista de pessoas nas quais arremessá-lo.
Tenho lido e conversado bastante sobre o que está acontecendo, sobre o que nos fez chegar até aqui neste formato. A culpa é do partido que não educa e não politiza, a culpa é do partido que mente sem escrúpulos e faz uma campanha de terror, a culpa é do povo que não sabe escolher, a culpa é do povo que escolhe convicto, a culpa é de quem não vota, a culpa é da esquerda militante que não soube operar diante do cenário da última década. Vejo razão em tudo. Mas tudo em maior ou menor grau, nenhum dos eixos como o centro. E, indo além, ou indo para o além, há outras esferas que não aparecem quase nunca nos carrosséis e vídeos da esquerda organizada: o espiritual e o inconsciente.
Partirei de uma premissa de que o espírito existe, ainda que seja na mera forma do apanhado energético/emocional do qual cada humano é dotado (o que de mero não tem nada, dada a potência das emoções enquanto fator de decisão das ações tomadas), considerando ainda que o fervor evangélico, direcionado a um deus específico, no meio de tantos do panteão que a coletividade mantém vivo, pretende mover montanhas e operar milagres, ou destruir muralhas e derrubar exércitos. Na hipótese de que nada haja do outro lado da linha, as preces indo parar no vazio, não dá para esvaziar o movimento, as pulsões e o exercício linguístico daquele que ora: eu declaro, eu profetizo, e não com a sutileza desses caracteres que você lê aqui, mas EU-DE-CLARO, EUPRO-FE-TIZO, QUE OBRA-SIL, É DO SE-NHOR, JE-SUS!!!
Há uma experiência muito específica daqueles que já frequentaram igrejas protestantes, em especial as neopentecostais, com comunicação mais exacerbada durante os cultos. A linguagem expande, contagia, permite acessar emoções muito específicas que não são acessíveis com facilidade no espaço secular, no trabalho, trânsito, mercado, na televisão. E o orar não mora só na igreja. O cristão neopentecostal ora também em casa, faz jejum, modifica o próprio funcionamento dos órgãos internos para atingir uma sensibilidade maior e potencializar o acesso ao sagrado. E aqui, fora do tempo, pais e mães, jovens, casais, famílias reunidas em células, pessoas reunidas em vigílias, retiros e encontros movem montanhas: as montanhas de dentro.
Se Vigotski postula uma função ou elemento do mundo primeiro ocorrendo no mundo e depois no mundo interior, aqui a equação se inverte: expulsar os demônios e os pecados de dentro de si mesmo, expulsar os demônios e os pecados de dentro dos templos e, como no primeiro Matrix, sair então programado e preparado para expulsá-los do país com o voto.
O que move uma oração? Já sabemos que o inconsciente atravessa e é atravessado por tudo que é contexto, seja a cidade, a família, o idioma, o pão e o queijo, o modo de tomar o café e o sexo, seja a camiseta da loja ou do primo. Aquilo que eu não sei está em mim e não pede passagem, atravessa junto tudo aquilo que atravesso. Jung sustentou que a Alemanha, após os estragos da primeira guerra, se fundiu com o arquétipo de Wotan/Odin, figura de sabedoria, mas de fúria, guerra e transe, e que o líder popular era antes um médium, mediando o fluxo de destruição, e não um político no sentido técnico do termo.
Não pretendo colocar na conta do deus protestante (que, existindo, definitivamente não é Deus) ou de uma dinâmica inconsciente todo o estrago que vivemos desde 2018, mas penso ser importante não nos esquecermos de que nem tudo vai ser explicado com uma análise que pense na classe sem pensar no que a atravessa, que pense na Faria Lima sem pensar nos seus signos e no que esse espaço representa espiritualmente, em contraste com o que atravessa os centros urbanos e o que eles atravessam, tomados de ambulantes e pessoas em situação de rua, a "energia" (dói pensar em tudo o que essa palavra condensa) de um espaço de encontro de dependentes químicos, a "energia" de uma comunidade terapêutica tentando domar um psicótico com a bíblia e uma chave na porta.
Por fim, o que é um servbot? O personagem da imagem deste post está presente na série de jogos MegaMan Legends, para o antigo Playstation 1. Atuando coletivamente, servem às forças vilãs sem, contudo, serem necessariamente vilões. Cumprem alegremente suas tarefas, sejam estas agir como piratas aéreos e saquear aeronaves, sequestrar pessoas, dar apoio técnico à sua líder, ou mesmo ingenuamente dar informações importantes ao herói. Não dá pra falar do nosso momento atual sem falar de lados. Partidos à parte, um lado quer que todo mundo viva, e viva bem, o outro quer algo bem diferente disso. Enquanto militâncias, desejantes de um mundo específico, lutamos e nos organizamos para concretizar essas realidades. Que a gente possa se manter ingênuo, mas não bobo, no sentido de saber que não sabemos de tudo ainda, e que muita coisa só vai ficar clara daqui a muito, muito tempo, quando der pra colocar tudo isso em perspectiva. Mas não dá pra travar, mesmo com as panes - por hora, vamos ingênuos mesmo.
Não sei se a rotina vai me permitir, mas quero manter a escrita ativa. Tem sido um espaço bom. O poema de ontem me ajudou muito a segurar a onda no início da apuração. Depois é encarar, com toda a boa companhia que a vida me permitir, entender o que posso fazer, o que não posso fazer, e agir de acordo. Convocar os demônios e anjos dentro de mim, dá-los um novo templo, receber novas visitas (como um templo budista - a visita é de fato uma visita, não um fiel; vai para ver; acender um incenso; ter um pouco de paz ou de conflito positivo; retornar para o que há lá fora).
Estou bem, melhor agora, escrevo enquanto as bombas caem.
Foices às saias foices aos cabelos foices
veleiros para cima, laranjas, Hollywood,
um credicard come minha chave pix, um meme, Golias passa bem contudo
cairá. Ainda que de velho, aos pedaços, aos tropeços, soluços, chora coitado,
coitado de mim que nasci no Espaço e caí feito metralha cadarços olhos azuis.
Olhos verdes água amarelada, talvez água, talvez vida estancada.
Votos nulos. O Nordeste mais uma vez será será será será todos olham.
Todos veludo todos os dentes serrilhados a morder madeira:
Cupim nacional. Roem móveis novos antigos de mármore metal.
Roem a roupa do rei, do gay, do elemental de fogo, roem a barragem que construí a tantas penas. Pessoas que não têm nada em jogo só vaidades. Que perderiam apenas a oportunidade de ser tremendos arrombados. Riem de nós, chamam-nos ratos, porcos, imundos,
Monstros,
Bichos,
Cruéis e bárbaros,
Rasgacabeças, putrefolhos, comedores de caco de vidro.
Dai-me a espada e a lança invisíveis, a arnavalha o cacau. Apito o fim. Nacional jornada. Telenovela. Triste verão de espreguiçar, banzo, bola de gude no estilingue drones ronins maracutaia boa, arara como um código: atenção Goiânia é chegada a hora creme cracker rolimã mascava pólvora. Carnavau balacanhão, botes, remos, asa diante do cerol. Pense bem pense comigo: qual seu inimigo logo q'amigo, o Jones o Janones ou o
cara da casa lotérica com uma blusa do Atlético Mineiro. Seu filho, flamenguista, sua mulher nadadorista sua mãe esgrima. Clavas alternadas geram código: colheres em mãos de mulheres. Patins de gelo nas costas, ZAP na nuca no aquiles. Rio de Janeiro enfeitiçado por flautas o que está acontecendo, Belo Horizonte águas termais fonte. Chocolatinho: cinco reais rinoceronte no Setor Central falando alto,
dando a entender,
deixando claro: morte a. Usos costumes vestimentas miligramas de determinados líquidos em seringas, que interessantíssimo efeito no sistema venoso, que clautrofobíssimo sujeito chupando um osso. Me dá um.
Comer baderna transpirar geléia. Gelatina de frutas, sal no abacaxi, corda de dar corda e meus óculos novos nunca mais pulei numa piscina pois congelaram todas as piscinas desde Cuiabá até Matão para montar A Ferrovia puff puff metrovia puff puff colia puff puff divisível íntimo: abretórax saxoffonia Carrie Mathison num paraglider explodindo edificações a mando de um Cheetos Grill. Corda de contrabaixo cordafeijão: o extrato está saindo mais caro que a sardinha: onde usar o meu dinheiro.com barra sabão; tomates frescos está pronta a limusine, quis dizer limonada, quis dizer quiz: quem foi o primeiro brasileiro a ser transformado numa estátua de sal por olhar para frente:
Tocar a garganta do céu na ausência de um keyboard: tocar um violino de ouro, enterrar todos os tesouros JÁ chovem as facas, chovem bastões de swab-ideia chovem Enéias. A primeira bombatômica do Brasil está armada e dança e solta cartas. Lá vem uma tempestade de palavras: na rua, roupas nuas, na rua bonés cometas arremessados com
cabeças
Tome cuidado ao dirigir para frente, nas calçadas, no bar, no bosque, cornetas loucas erosão do senso cítrico limão no rasgo limão no limoeiro privatizado setenta reais o quilo do quilograma. Está aberta a temporada de caças no céu anil: é vosso, tudo, chaveiros cadeados cheqs bilhetes de ônibus surrendai aqueles que buscam o que o que o que o que o que não é
assim fazemos sombra.
Fazemos blueprints e máquinas subterrâneas. Germinamos.
Comemos grilos.
Sibilos.
Mordemos calcanhares desde o Éden minha irmã a serpente sou eu. Olha meu dente.